23/09/2026
A prevalência da obesidade entre adultos brasileiros mais que triplicou entre 1990 e 2023, passando de 7,8% para 27,7%. Os dados fazem parte de um estudo da série Carga Global de Doenças (GBD), publicado neste mês pela revista Lancet.
O levantamento analisou 17 países da América Latina, e o Brasil apresentou o maior crescimento da obesidade entre as nações avaliadas.
Quando são considerados tanto o sobrepeso quanto a obesidade, o percentual de brasileiros acima do peso recomendado para a altura passou de 40,3% em 1990 para 66,8% em 2023. Isso significa que aproximadamente dois em cada três adultos estavam nessa condição ao final do período analisado.
Na América Latina, Brasil e Colômbia registraram o maior aumento na proporção da população com excesso de peso, de 69%, enquanto a média regional foi de 47%.
Mudanças na alimentação
Para a pesquisadora Deborah Carvalho Malta, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que participou do estudo, o avanço do excesso de peso está relacionado principalmente às mudanças nos hábitos alimentares e à redução da prática de atividades físicas.
O Brasil passou por uma transformação no perfil nutricional nas últimas décadas. Ao mesmo tempo em que houve redução da desnutrição, a qualidade da alimentação piorou.
Segundo a pesquisadora, alimentos tradicionais e mais nutritivos vêm sendo substituídos por produtos ultraprocessados, que costumam ter grandes quantidades de gordura, açúcar e sódio. O menor consumo de feijão, por exemplo, é apontado como parte dessa mudança.
Entre as medidas defendidas por Malta estão políticas que facilitem o acesso a alimentos saudáveis e desestimulem o consumo de produtos ultraprocessados. Ela também destaca a importância do aleitamento materno e da oferta de refeições nutritivas nas escolas.
Sedentarismo também preocupa
A redução da atividade física é outro fator associado ao crescimento do excesso de peso. O aumento do tempo diante de celulares, computadores e televisores contribui para uma rotina mais sedentária.
A combinação de alimentação inadequada e pouca atividade física pode favorecer o ganho de peso ao longo dos anos. Por isso, a pesquisadora destaca a importância de estimular hábitos saudáveis desde a infância.
Segundo Malta, o excesso de peso durante a infância pode aumentar o risco de obesidade na vida adulta e está associado a doenças crônicas.
Riscos para a saúde
O excesso de peso está relacionado a diferentes problemas de saúde, incluindo doenças cardiovasculares, renais e osteomusculares, além de diversos tipos de câncer.
A obesidade também pode afetar a saúde mental e a autoestima. Para a pesquisadora, a prevenção e o controle do problema exigem ações voltadas principalmente à alimentação equilibrada e à prática regular de atividade física desde os primeiros anos de vida.
