11/09/2026
A identificação de alterações visuais ainda nos primeiros anos de vida pode fazer diferença no desenvolvimento motor, cognitivo, na comunicação, na aprendizagem e na autonomia das crianças. Especialistas alertam que a baixa visão não deve ser entendida apenas como uma redução da capacidade de enxergar.
Segundo a oftalmologista Maria de Fátima Neri, a condição pode afetar a maneira como a criança percebe e explora o ambiente, além de interferir em atividades cotidianas e na interação social. Por isso, a avaliação deve considerar não apenas a acuidade visual, mas também o uso que a criança consegue fazer da visão que possui.
O alerta foi apresentado durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador. A médica destaca que quanto mais cedo a alteração for identificada, maiores são as possibilidades de desenvolver estratégias que favoreçam a funcionalidade e a independência da criança.
Entre as possíveis causas de baixa visão estão catarata e glaucoma congênitos, alterações do nervo óptico, doenças da retina, albinismo, alta miopia, condições neurológicas, deficiência visual cortical ou cerebral e complicações relacionadas à prematuridade. Infecções como sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus também podem provocar alterações visuais.
Sinais merecem atenção
Alguns comportamentos podem indicar a necessidade de uma avaliação oftalmológica. Entre eles estão a dificuldade para acompanhar objetos, pouca fixação do olhar, aproximação excessiva de objetos dos olhos, tropeços frequentes e dificuldade para enxergar em locais com pouca iluminação.
Também são sinais de alerta a sensibilidade excessiva à luz, a dificuldade para reconhecer pessoas ou objetos e atrasos no desenvolvimento sem causa aparente.
A participação da família é fundamental para identificar como a alteração visual interfere na rotina. Observar se a criança reconhece rostos, localiza objetos, brinca sozinha e reage de maneira diferente conforme a iluminação pode ajudar os profissionais na avaliação.
Atendimento envolve diferentes áreas
O acompanhamento de crianças com baixa visão pode exigir uma equipe multidisciplinar. O trabalho pode incluir estimulação visual, recursos ópticos e não ópticos, tecnologia assistiva, orientação e mobilidade, terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e apoio pedagógico.
A especialista ressalta que cuidar precocemente da visão significa também favorecer outras áreas do desenvolvimento infantil. A identificação e o acompanhamento adequados podem contribuir para a autonomia e para a participação da criança nas atividades do dia a dia.
