Lula defende fim da escala 6×1 e afirma que descanso dos trabalhadores não ameaça empresas

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Presidente rebate críticas à nova regra trabalhista e defende equilíbrio entre saúde dos profissionais, tempo para a família e manutenção dos negócios.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta sexta-feira (16), o fim da escala 6×1 e rebateu críticas de setores empresariais sobre os possíveis impactos da mudança na economia. Durante a cerimônia de promulgação da emenda constitucional pelo Congresso Nacional, Lula afirmou que é necessário conciliar a continuidade das empresas com a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.

“É combinar a manutenção e a existência da empresa com a manutenção e a saúde das mulheres e dos homens que trabalham”, declarou o presidente.

A nova regra prevê a adoção da escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana, além da redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial.

Lula destaca importância do descanso e da convivência familiar

Durante o discurso, o presidente ressaltou que o descanso é fundamental para que os trabalhadores tenham tempo para cuidar da saúde, conviver com familiares e realizar atividades fora do ambiente profissional.

Lula também chamou a atenção para a rotina das mulheres, afirmando que os dias de folga nem sempre representam descanso para aquelas que acumulam responsabilidades profissionais e tarefas domésticas.

O presidente argumentou que a ampliação do tempo livre deve ser considerada parte das condições necessárias para melhorar a qualidade de vida da população.

Presidente compara mudança a conquistas trabalhistas anteriores

Lula também comparou as críticas atuais às manifestações contrárias a outras conquistas históricas dos trabalhadores, como a redução da jornada semanal promovida pela Constituição de 1988 e a criação do 13º salário.

Segundo ele, essas medidas também foram questionadas sob o argumento de que poderiam prejudicar as empresas e comprometer a economia.

O presidente afirmou ainda que os avanços tecnológicos das últimas décadas ampliaram a capacidade produtiva e os ganhos empresariais, defendendo que os trabalhadores também tenham acesso aos benefícios dessas transformações.

Setor empresarial questiona impactos econômicos

A mudança na jornada de trabalho tem provocado divergências entre representantes empresariais e pesquisadores. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende a revisão da nova regra, alegando preocupação com seus efeitos sobre a atividade econômica.

Estudos citados no debate apresentam estimativas diferentes sobre os impactos da redução da jornada no Produto Interno Bruto (PIB), na inflação e nos custos das empresas.

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estimam que a redução poderá elevar em cerca de 1% o custo total das empresas em setores como comércio e indústria. Em atividades de vigilância e segurança, o impacto poderá chegar a 6,6%, segundo as avaliações mencionadas.

Pequenos negócios poderão ter medidas de apoio

A emenda constitucional prevê a possibilidade de criação de medidas transitórias para reduzir os efeitos da mudança sobre microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte.

Entre as propostas discutidas pelo Congresso estão a ampliação do limite anual de faturamento dos MEIs e a possibilidade de contratação de até dois funcionários por microempreendedor.

A implementação da nova jornada ocorrerá de forma gradual, com previsão de adoção da escala 5×2 em até 60 dias e redução inicial do limite semanal para 42 horas. Ao final do período de transição, a jornada deverá chegar a 40 horas semanais, conforme as regras estabelecidas na emenda.

Da Redação 16/10/2026