SUS começa a oferecer nove novos medicamentos contra o câncer em todo o Brasil

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O Ministério da Saúde iniciou nesta semana a oferta de nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os fármacos são indicados para 13 modalidades de tratamento e devem beneficiar mais de 116 mil pacientes em diferentes regiões do país.

A distribuição começou em 20 centros especializados, localizados em todas as regiões brasileiras. A expectativa é ampliar o fornecimento para os demais serviços habilitados até o fim de 2026.

Segundo o Ministério da Saúde, a aquisição dos nove medicamentos terá impacto anual de R$ 155,4 milhões. A iniciativa faz parte de um plano de ampliação do acesso a tratamentos contra o câncer, que prevê a inclusão de 23 novos medicamentos oncológicos até o fim do ano.

Para viabilizar a medida, o governo assumiu diretamente a compra de parte dos medicamentos, articulou negociações para reduzir os preços de outros e ampliou repasses destinados ao custeio dos tratamentos. O investimento anual previsto para o conjunto das 23 incorporações é de R$ 4 bilhões.

Confira os nove medicamentos incluídos no SUS

Os medicamentos são destinados a diferentes tipos de tumores e podem ser utilizados conforme o estágio da doença e as características clínicas de cada paciente.

  • Trastuzumabe: câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.
  • Abemaciclibe: câncer de mama em estágio inicial, com receptores hormonais positivos, HER2 negativo e comprometimento de linfonodos.
  • Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos.
  • Pazopanibe: câncer renal de células claras metastático.
  • Rituximabe: leucemia linfocítica crônica em primeira linha, linfoma folicular e linfoma difuso.
  • Abiraterona: câncer de próstata em diferentes estágios de resistência ou sensibilidade à hormonioterapia, incluindo casos metastáticos.
  • Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células em primeira linha de tratamento.
  • TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide em pacientes com indicação de tratamento com iodo radioativo.
  • Sunitinibe: câncer renal de células claras metastático e tumor estromal gastrointestinal (GIST) avançado ou metastático após falha do tratamento com imatinibe.

De acordo com o Ministério da Saúde, os tratamentos podem contribuir para aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida. Alguns medicamentos também são utilizados após cirurgias, quando não há sinais visíveis do tumor, com o objetivo de reduzir o risco de retorno da doença.

Rastreamento do câncer de intestino

Além da ampliação dos medicamentos, o Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para rastreamento do câncer colorretal em todos os estados.

Os exames serão destinados a pessoas assintomáticas, homens e mulheres entre 50 e 75 anos, para identificar quem precisa realizar colonoscopia para investigação complementar. Segundo a pasta, o teste apresenta precisão de 92%.

A medida busca ampliar a identificação precoce da doença e facilitar o encaminhamento dos pacientes para confirmação diagnóstica e tratamento.

SUS amplia prevenção do câncer do colo do útero

Outra iniciativa em implementação é o rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste de DNA-HPV.

Como complemento, o ministério financiará a citologia reflexa em meio líquido, que utiliza a mesma coleta para avaliar amostras com sinais de alerta. O investimento anual previsto é de R$ 2,7 milhões, destinado à realização de mais de 131 mil testes.

O objetivo é aprimorar a investigação de alterações e fortalecer as estratégias de prevenção e diagnóstico precoce.

Cirurgias oncológicas e modernização dos hospitais

O Ministério da Saúde também anunciou que passará a custear cirurgias videotorácicas oncológicas, utilizadas principalmente no tratamento do câncer de pulmão.

A técnica minimamente invasiva utiliza pequenas incisões, câmera e instrumentos específicos. Entre os benefícios esperados estão a redução do tempo de internação e a diminuição de complicações após a cirurgia.

Outra medida anunciada foi a destinação de R$ 4 bilhões ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) nos próximos três anos. A iniciativa reúne hospitais de referência em projetos de capacitação profissional, transferência de tecnologia e melhoria da gestão pública.

Projeto prevê primeiro hospital inteligente do SUS

O governo também anunciou a implantação do primeiro hospital 100% inteligente do SUS, no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em parceria com o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI).

O projeto prevê unidades de terapia intensiva com equipamentos conectados e recursos de inteligência artificial para monitoramento remoto em tempo real.

A proposta inclui ainda a modernização dos laboratórios de anatomia patológica e a utilização de telediagnóstico para reduzir o prazo de entrega dos laudos de biópsias de aproximadamente uma semana para até 48 horas.

As iniciativas integram o conjunto de medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde para ampliar o acesso a tratamentos oncológicos, fortalecer a prevenção e modernizar os serviços oferecidos à população pelo sistema público.

Da Redação
20/10/2026