Jornais da Europa e das Américas repercutiram a votação no Senado, que prevê jornada semanal de 40 horas e dois dias de descanso remunerado.
Da Redação
15/10/2026
A aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil ganhou destaque na imprensa internacional. Veículos estrangeiros apontaram a votação no Senado como uma vitória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.
A proposta estabelece a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.
O jornal espanhol El País destacou que a mudança representa uma conquista para dezenas de milhões de trabalhadores brasileiros e classificou a aprovação como um avanço político para Lula.
Na Argentina, o Clarín relacionou a votação à disputa eleitoral brasileira, enquanto o La Nación descreveu a medida como uma das principais apostas do presidente antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Jornais britânicos destacam impactos econômicos
O jornal britânico Financial Times, especializado em economia e finanças, ressaltou que o Congresso brasileiro aprovou uma mudança que pode aproximar a jornada de trabalho do país daquela praticada em diversas economias de renda mais elevada.
A publicação também mencionou as críticas de representantes empresariais, que apontam possíveis aumentos nos custos de operação com a redução da jornada.
Já o The Guardian destacou a repercussão social da proposta e estimou que a mudança poderá afetar até 30 milhões de brasileiros. O jornal também lembrou a atuação do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que ganhou visibilidade nas redes sociais e impulsionou a discussão sobre o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso.
Mudança de posição de Flávio Bolsonaro repercute no exterior
A imprensa internacional também abordou a mudança de posicionamento do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial. Segundo as publicações, o candidato, que inicialmente se opunha à proposta, passou a manifestar apoio poucos dias antes da votação.
O The Guardian informou que Flávio continuou defendendo uma alternativa baseada no pagamento por hora efetivamente trabalhada.
A agência norte-americana Associated Press (AP) também destacou a votação e observou que os aliados do senador deixaram de barrar a proposta. Segundo a agência, o movimento ocorreu em meio à disputa eleitoral e à popularidade da pauta entre os trabalhadores.
PEC foi aprovada com 75 votos favoráveis
O Senado concluiu a votação da proposta na noite de quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis e apenas um contrário. O único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República durante o governo Jair Bolsonaro.
A matéria avançou após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), levar o tema ao plenário.
Pelo texto aprovado, a jornada de trabalho deverá passar ao modelo 5×2, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. A implementação prevê uma transição de 14 meses.
Nos primeiros 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, a jornada máxima será reduzida para 42 horas semanais. Depois de mais 12 meses, o limite passará a ser de 40 horas.
A mudança ainda depende da conclusão dos procedimentos legislativos necessários para entrar em vigor, conforme as regras de tramitação de emendas à Constituição.
