O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão de um vídeo da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exibido no horário eleitoral gratuito na televisão. A decisão, proferida no sábado (10), atendeu a um pedido apresentado pela campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL).
A propaganda comparava as trajetórias políticas de Lula e de seu candidato a vice, Geraldo Alckmin, com as de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, que integra a chapa do PL como candidato a vice-presidente.
O conteúdo mencionava a relação de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de uma investigação relacionada a uma denúncia de estupro envolvendo Gaspar.
Ministro aponta omissão de informações
Ao justificar a suspensão, Nunes Marques afirmou que a propaganda não identificou o procedimento investigativo relacionado a Flávio Bolsonaro, a autoridade responsável pela apuração nem a fonte das informações apresentadas.
Em relação a Alfredo Gaspar, o ministro destacou que o vídeo não informou que o pedido de investigação mencionado havia sido arquivado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Nunes Marques, a forma como as informações foram apresentadas poderia transmitir aos eleitores a impressão de que os integrantes da chapa adversária estavam diretamente associados à prática de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e violência sexual contra criança.
Após a decisão, o TSE notificou as emissoras de televisão para que retirassem a propaganda do horário eleitoral.
Caso envolvendo Daniel Vorcaro
A peça publicitária também abordava informações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Relatórios da Polícia Federal mencionados na reportagem apontam a existência de mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo as informações divulgadas, o senador teria solicitado R$ 131 milhões para financiar o projeto, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos.
A campanha de Lula sustentou que as informações utilizadas na propaganda eram verdadeiras e haviam sido divulgadas anteriormente pela imprensa. A decisão do TSE, contudo, considerou insuficiente a apresentação dos elementos relativos às investigações no vídeo eleitoral.
Da Redação
11/10/2026
