Investimentos direcionados para ações de prevenção e tratamento podem evitar cerca de 739 mil mortes prematuras no Brasil até 2050 e acrescentar mais de R$ 1 trilhão ao Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa faz parte do estudo A saúde das nações: saúde mais forte, economias mais fortes, elaborado pelo McKinsey Health Institute.
O levantamento avaliou aproximadamente 300 intervenções de saúde consideradas eficazes e com boa relação entre custo e resultado. As medidas abrangem cerca de 90 doenças e 27 fatores de risco, responsáveis por grande parte dos problemas de saúde registrados no mundo.
Segundo o estudo, não basta aumentar os recursos destinados à saúde. É necessário direcionar o dinheiro para ações que tenham eficácia comprovada e possam produzir o maior impacto possível.
Prevenção tem papel central
No caso brasileiro, 59% do impacto potencial das medidas analisadas viria de ações preventivas, tanto individuais quanto voltadas à população. Muitas dessas iniciativas não dependem diretamente de hospitais ou unidades de saúde.
Entre as estratégias citadas estão políticas para reduzir o consumo de tabaco, álcool e alimentos ultraprocessados, além de medidas de proteção dos trabalhadores contra a exposição a substâncias prejudiciais.
Também estão entre as recomendações a ampliação da vacinação, a realização de exames preventivos e o acompanhamento de fatores de risco para doenças cardiovasculares, como pressão arterial e colesterol.
O estudo aponta ainda o controle do peso por meio de alimentação adequada e atividade física entre as medidas com potencial para reduzir o impacto da obesidade.
Tratamentos também podem reduzir mortes
Na área de tratamento, o levantamento destaca o diagnóstico e o atendimento adequado de pacientes com câncer como uma das ações com maior potencial de impacto.
Também são citados a ampliação do acesso a medicamentos para transtornos psiquiátricos e a melhoria da disponibilidade de equipamentos e insumos médicos.
O acesso rápido ao diagnóstico e ao tratamento pode produzir resultados em prazo relativamente curto. A ampliação do uso de medicamentos para controlar hipertensão e colesterol também aparece como uma estratégia de baixo custo capaz de reduzir riscos futuros.
Mais anos de vida saudável
No cenário projetado para o Brasil, a adoção das medidas analisadas poderia elevar a expectativa de vida em cerca de cinco anos, chegando a 85 anos.
Além de viver mais, a população poderia alcançar aproximadamente 76 anos de vida com boa saúde, nove anos acima da estimativa atual apresentada no estudo.
O levantamento calcula ainda que cada dólar investido em intervenções de saúde consideradas eficazes poderia gerar US$ 2,10 adicionais ao PIB brasileiro. O retorno estaria relacionado principalmente ao aumento da produtividade, à redução de doenças e à diminuição de mortes entre pessoas em idade produtiva.
Os benefícios também poderiam alcançar crianças e famílias, já que a redução de doenças favorece a permanência nos estudos e diminui o impacto do cuidado de pessoas doentes sobre seus familiares.
Doenças crônicas concentram parte do impacto
As projeções indicam que doenças respiratórias crônicas e transtornos de saúde mental poderiam apresentar redução de até 46% nos anos de vida perdidos até 2050 com a adoção das medidas avaliadas.
Para doenças cardiovasculares e problemas relacionados a deficiências nutricionais, a estimativa de redução chega a pelo menos 40%. Os anos de vida perdidos associados ao abuso de substâncias poderiam cair 39%, enquanto diabetes e doenças renais teriam potencial de redução de 35%.
América Latina investe pouco em prevenção
O estudo também aponta desafios para a América Latina. Os países da região destinam, em média, 3,7% do PIB à saúde, enquanto a média entre países de alta renda chega a 7,9%.
Menos de 5% dos recursos de saúde na América Latina são direcionados à prevenção, embora esse tipo de intervenção represente 61% das medidas identificadas como capazes de reduzir mortes prematuras e problemas de saúde.
O envelhecimento da população é outro desafio. A expectativa de vida continua aumentando, mas o período vivido com doenças e limitações também cresce. Sem novas intervenções, esse intervalo pode ultrapassar 12 anos até 2050.
O levantamento também considera os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde. Ondas de calor e outros eventos extremos podem agravar doenças existentes e aumentar determinados riscos. Medidas como o controle da qualidade do ar, por outro lado, podem contribuir para reduzir problemas respiratórios.
Da Redação
07/10/2026
