03/10/2026
Uma série de ataques contra símbolos e estabelecimentos religiosos voltou a chamar atenção para os casos de intolerância religiosa no Brasil. Em setembro, diferentes episódios envolvendo imagens e espaços ligados a religiões católicas e de matriz africana foram registrados em cidades como Fortaleza, Londrina e Salvador.
Na capital cearense, três estabelecimentos religiosos tiveram as fachadas incendiadas na madrugada de 9 de setembro. Dois eram ligados ao catolicismo e um à umbanda. Em um dos locais, um cartaz com ameaça de morte foi deixado junto ao estabelecimento. Os casos são investigados pela Polícia Civil.
Outros episódios ocorreram no Paraná e na Bahia. Em Londrina, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida teve a cabeça retirada. Em Salvador, imagens de Nossa Senhora das Graças e de Santa Dulce dos Pobres também foram danificadas.
Diante da sequência de ocorrências, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal investigue a possível disseminação de ataques contra imagens religiosas católicas em diferentes regiões do país.
Mais de 1,2 mil denúncias no primeiro semestre
Dados do Disque 100 mostram que, entre janeiro e junho de 2026, foram registradas 1.252 denúncias com pelo menos uma violação relacionada à liberdade de crença ou à intolerância religiosa.
Os registros envolvendo religiões de matriz africana continuam entre os mais numerosos. Candomblé e umbanda são apontados como grupos historicamente atingidos por esse tipo de violência.
No primeiro semestre deste ano, foram contabilizadas 270 denúncias envolvendo essas religiões, contra 192 no mesmo período de 2025, um aumento superior a 40%.
Entre os católicos, as denúncias também aumentaram. Foram 34 registros nos primeiros seis meses de 2026, contra 15 no mesmo período do ano anterior.
Intolerância religiosa e disputas nas redes sociais
O debate sobre intolerância religiosa também ganhou espaço nas redes sociais durante o período eleitoral, especialmente após publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida e o título de padroeira do Brasil.
Mensagens atribuíram ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro a intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. O candidato acionou a Justiça Eleitoral e o STF para contestar as publicações.
As decisões judiciais sobre o caso envolveram discussões entre a retirada de conteúdos considerados falsos e a preservação da liberdade de expressão. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) posteriormente formou maioria para manter as publicações fora do ar.
Crime prevê prisão e multa
A legislação brasileira prevê punições para práticas de intolerância religiosa. Segundo o defensor público do Ceará Igor Barreto, crimes relacionados à prática, indução ou incitação de intolerância religiosa podem resultar em pena de um a cinco anos de reclusão, além de multa.
Os crimes dessa natureza são considerados imprescritíveis e não admitem fiança ou indulto, conforme a legislação mencionada pelo defensor.
