23/09/2026
A ex-deputada federal Carla Zambelli solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um salvo-conduto para retornar temporariamente ao Brasil e votar em sua mãe, Rita Luzia Zambelli Salgado, candidata a deputada federal por São Paulo.
O pedido foi apresentado pela defesa na segunda-feira (22). Os advogados afirmam que há mandados de prisão contra Zambelli e sustentam que uma eventual entrada no país poderia resultar em sua detenção.
A defesa também cita a decisão da Justiça italiana que impediu a extradição da ex-deputada para o Brasil. Segundo os advogados, o tribunal italiano levantou questionamentos sobre a atuação da Primeira Turma do STF, responsável pelas condenações de Zambelli.
Outro argumento apresentado envolve o pedido de investigação relacionado ao ministro Alexandre de Moraes no caso Banco Master. A defesa afirma que a situação deveria ser considerada na análise do pedido de autorização para o retorno.
Plano de viagem
De acordo com a solicitação apresentada ao STF, Zambelli pretende chegar ao Brasil em 3 de outubro, participar da votação no dia 4 e retornar à Itália no dia seguinte.
O pedido foi encaminhado ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin. A defesa argumenta que o risco de prisão durante a entrada, permanência ou saída do país poderia impedir a ex-deputada de exercer o direito de votar.
Condenações
Zambelli foi condenada em 2025 pela Primeira Turma do STF a 10 anos de prisão pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica. O processo envolve uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2022, para inserir um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Ainda em 2025, ela recebeu outra condenação, de 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso está relacionado ao episódio envolvendo o jornalista Luan Araújo, perseguido por Zambelli pelas ruas de São Paulo antes do segundo turno das eleições de 2022.
Saída do Brasil e situação na Itália
Depois da primeira condenação, Zambelli deixou o Brasil utilizando um passaporte europeu. Ela passou pelos Estados Unidos e posteriormente seguiu para a Itália, onde solicitou refúgio alegando perseguição política.
A ex-deputada chegou a ser presa em Roma após um pedido das autoridades brasileiras para sua extradição. Inicialmente, a Justiça italiana autorizou o procedimento, mas a decisão foi posteriormente derrubada por um tribunal de apelação.
A defesa utiliza a decisão italiana e outros questionamentos apresentados no processo como argumentos para pedir que Zambelli possa entrar no Brasil sem ser presa durante o período necessário para votar.
