21/09/2026
Milhares de crianças e adolescentes da Faixa de Gaza voltaram às aulas presenciais no sábado (20), após quase três anos afastados das escolas. O novo ano letivo começou em meio à destruição provocada pela guerra, com estudantes ocupando prédios danificados, tendas e estruturas improvisadas.
Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 98% das escolas de Gaza foram destruídas ou danificadas durante o conflito. Autoridades educacionais locais estimam que cerca de 660 mil estudantes ficaram sem acesso regular ao ensino presencial.
Para atender à demanda, o Ministério da Educação, com apoio de organizações locais e internacionais, criou dezenas de espaços temporários utilizando tendas, lonas, madeira e chapas metálicas. Em algumas unidades, as salas funcionam em terrenos arenosos e contam apenas com colchões e quadros.
Estudantes retornam em meio à escassez
O retorno às aulas ocorre em condições precárias. Muitos alunos ainda vivem em abrigos improvisados e enfrentam dificuldades para conseguir materiais básicos, como cadernos, canetas e roupas.
Estudantes relataram que, durante o período sem aulas presenciais, acompanharam atividades pelo celular e tiveram pouco contato direto com professores.
Apesar das dificuldades, o retorno às escolas é visto pelos alunos como uma oportunidade de recuperar parte da rotina interrompida pela guerra.
Ensino chega a centenas de milhares
A estimativa das autoridades educacionais é que pelo menos 540 mil estudantes participem de atividades presenciais neste ano em escolas improvisadas, centros de aprendizagem temporários e outros espaços educacionais.
O ensino a distância continuará disponível para estudantes que não conseguem frequentar as aulas presencialmente ou que deixaram Gaza durante o conflito.
A retomada ocorre em meio à continuidade das restrições e das dificuldades de abastecimento. Comerciantes locais afirmam que a escassez de materiais escolares provocou forte aumento nos preços, tornando produtos básicos mais difíceis de adquirir pelas famílias.
O conflito também provocou graves perdas no setor educacional. Segundo autoridades locais citadas pela Reuters, milhares de estudantes e centenas de profissionais da educação morreram durante a guerra.
Israel afirma que o Hamas utiliza instalações civis, incluindo escolas, para atividades militares, enquanto o grupo nega essas acusações. A situação das escolas e o acesso a materiais continuam entre os principais desafios para a retomada da educação em Gaza.
