Fachin retira da pauta julgamento sobre atuação de Mendonça no caso Master

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17/09/2026

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, retirou da pauta da próxima quarta-feira (23) o julgamento de um pedido de investigação sobre a atuação do ministro André Mendonça na relatoria do caso envolvendo o Banco Master.

A decisão foi tomada após uma sessão extraordinária realizada na terça-feira (15), quando o ministro Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem relacionada a outro pedido de investigação, desta vez sobre um suposto vínculo entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.

Processos podem ser analisados em conjunto

Segundo Gilmar Mendes, os dois pedidos de investigação têm relação e deveriam ser julgados conjuntamente. O plenário iniciou a análise da proposta, mas o julgamento foi interrompido depois que o ministro Flávio Dino pediu mais tempo para examinar o caso.

No momento da interrupção, o placar era de 4 votos a 3 pela tramitação separada dos processos.

Ao retirar o processo envolvendo Mendonça da pauta, Fachin afirmou que a decisão levou em consideração a “direta relação” entre o caso e a questão de ordem apresentada durante a sessão. Uma nova data para o julgamento ainda será definida.

Na semana anterior, Fachin havia rejeitado um pedido de Moraes para que os dois casos fossem analisados conjuntamente. Moraes sustenta que a apuração sobre a condução do processo por Mendonça tem relação direta com a investigação envolvendo seu próprio nome.

Investigação envolve Operação Compliance Zero

O caso está ligado à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal para investigar suspeitas de corrupção de agentes públicos e possíveis fraudes financeiras atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Em 1º de setembro, Mendonça, como relator do caso Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne 52 mensagens atribuídas pelos investigadores a Vorcaro e que mencionariam Moraes.

Segundo o relatório, as mensagens indicariam uma relação próxima entre os dois e incluiriam referência a um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Outro trecho das mensagens, segundo os investigadores, trataria de informações sobre uma possível operação para prender Vorcaro. As conversas teriam ocorrido entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso. As respostas atribuídas ao interlocutor não foram recuperadas.

Moraes nega ter mantido conversas com Vorcaro e questiona a comprovação de que as mensagens tenham sido efetivamente enviadas ou visualizadas.

Durante a sessão de terça-feira, Moraes e Mendonça também trocaram acusações sobre a condução do caso. Moraes afirmou que Mendonça teria atuado para incluir seu nome em uma eventual delação de Vorcaro por razões políticas. Mendonça negou a acusação.