15/09/2026
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou nesta terça-feira (15) esclarecimentos sobre uma possível conexão entre o Banco Master, o Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça, e contratos firmados com a Prefeitura de São Paulo.
O pedido foi encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Dino quer entender se existe alguma relação entre um encontro de Mendonça com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contratos posteriormente firmados pelo Instituto Iter e a atuação do ministro em um processo que envolve regras para o funcionamento de cemitérios privados na capital paulista.
Segundo o documento, Mendonça se reuniu com Vorcaro em março de 2025, na sede de uma empresa privada. Depois desse encontro, o Instituto Iter teria passado a manter contratos remunerados com o município de São Paulo.
Dino ressaltou que o pedido de esclarecimentos não representa uma acusação contra Mendonça nem significa afirmar que decisões judiciais tenham sido influenciadas por interesses externos.
Para o ministro, porém, a coincidência entre os acontecimentos e a natureza das relações envolvidas justificam uma apuração para esclarecer se existe alguma conexão entre eles.
Instituto Iter no centro dos questionamentos
O Instituto Iter foi criado em novembro de 2023 por André Mendonça, cerca de dois anos depois de sua chegada ao STF. A instituição atua na área de educação, oferecendo cursos de capacitação e pós-graduação executiva.
Após a divulgação das informações relacionadas ao caso Master, Mendonça anunciou que deixaria a sociedade no instituto. Na ocasião, afirmou que nunca recebeu lucros provenientes da entidade.
O pedido apresentado por Dino ocorre no mesmo dia em que o STF analisa outro episódio envolvendo ministros da Corte e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O plenário discute se Alexandre de Moraes poderá ser alvo de investigação a partir de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro.
Os dois casos, embora envolvam o mesmo empresário, tratam de situações distintas e estão sendo analisados separadamente pelo Supremo.
