12/09/2026
Há 30 anos, o Estado brasileiro reconhecia oficialmente sua responsabilidade pela morte de Carlos Marighella, assassinado por agentes da ditadura militar em São Paulo, em 4 de novembro de 1969.
O reconhecimento ocorreu em 11 de setembro de 1996, quando o filho do ex-deputado e militante político, Carlos Augusto Marighella, recebeu um novo atestado de óbito que vinculava a morte do pai à responsabilidade estatal, com base na legislação criada para reconhecer mortos e desaparecidos políticos.
Para a família, o documento representou um importante passo na reparação da memória de Marighella. Segundo o filho, o reconhecimento também ajudou a contestar a versão apresentada na época pela polícia, que tentava caracterizar a morte como resultado de um confronto.
Memória e reparação
Marighella foi morto em uma emboscada montada por agentes da repressão. Após a morte, seu corpo chegou a ser enterrado como indigente. Somente anos depois, com a Lei da Anistia, os restos mortais puderam ser transferidos para Salvador, cidade onde nasceu.
A família e antigos companheiros de Marighella passaram décadas buscando o reconhecimento oficial da responsabilidade do Estado e a reparação pela perseguição política sofrida.
O processo também permitiu que documentos relacionados a vítimas da ditadura fossem revisados. Em uma retificação posterior, o registro de Marighella passou a incluir informações que haviam sido omitidas anteriormente, entre elas o nome de Clara Charf como sua companheira.
Importância histórica
Integrantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos consideram o reconhecimento da responsabilidade estatal um marco na reconstrução da memória sobre a ditadura militar.
A medida não teve apenas efeito jurídico. Para familiares de vítimas, o reconhecimento ajudou a recuperar histórias que durante décadas foram marcadas pelo silêncio, pela perseguição e pela ausência de informações oficiais.
O filho de Marighella defende que a reparação também tenha um papel educativo, especialmente entre as novas gerações. Para ele, preservar a memória das vítimas é uma forma de reforçar a importância da democracia e impedir que episódios de ruptura institucional e violência política sejam esquecidos.
Legado
Carlos Marighella estudou na Escola Politécnica da Bahia, mas não conseguiu concluir a formação devido à perseguição política durante a ditadura. Décadas depois, a Universidade Federal da Bahia concedeu simbolicamente o diploma de engenheiro que ele não pôde receber em vida.
Para a família, iniciativas como essa ajudam a recuperar parte da trajetória de Marighella e preservar seu legado intelectual e político.
Três décadas após o reconhecimento oficial da responsabilidade do Estado por sua morte, a família continua defendendo que a memória do período seja preservada e que as novas gerações conheçam a história das vítimas da repressão política no Brasil.
