Três anos após o ataque do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, a Faixa de Gaza continua enfrentando uma grave crise humanitária, com ataques israelenses, deslocamento da população e dificuldades para colocar em prática um plano de reconstrução.
Um relatório do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários (Ocha), divulgado nesta semana, aponta que áreas densamente povoadas de Gaza continuam sendo alvo de bombardeios. Entre 23 e 30 de setembro, 29 palestinos morreram e 147 ficaram feridos, segundo dados do Ministério da Saúde local.
Desde o anúncio do cessar-fogo, em outubro de 2025, mais de 1,4 mil palestinos morreram, conforme os dados apresentados no relatório. O cenário também é agravado pela falta de recursos para assistência humanitária.
Segundo a ONU, apenas 40% dos US$ 4 bilhões solicitados para a ajuda humanitária nos territórios palestinos foram disponibilizados. A redução dos recursos deve afetar a distribuição de refeições e outros serviços essenciais. A estimativa é de que 1,4 milhão de pessoas em Gaza enfrentem níveis de insegurança alimentar aguda entre julho e dezembro.
Impasse sobre o desarmamento do Hamas
Um dos principais obstáculos para a implementação do plano de paz mediado pelos Estados Unidos é o desacordo sobre o futuro militar do Hamas e a presença de tropas israelenses em Gaza.
O Hamas condiciona o desarmamento à saída das forças israelenses do território. Israel, por sua vez, afirma que a retirada está vinculada à desmilitarização completa dos grupos palestinos.
Outro ponto de impasse envolve o grupo de palestinos escolhido para participar da administração e da reconstrução de Gaza. Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, Israel tem impedido o retorno desse comitê ao território, mantendo seus integrantes no Egito.
O governo israelense defende que qualquer transferência da administração civil de Gaza para uma nova estrutura palestina ocorra somente depois do desarmamento dos grupos armados.
Reconstrução ainda sem perspectiva
Enquanto as negociações permanecem travadas, a população enfrenta as consequências de três anos de guerra. Grande parte dos moradores continua deslocada e vive em abrigos improvisados, enquanto casas e estruturas básicas permanecem destruídas.
Especialistas também apontam a atuação de grupos armados contrários ao Hamas, que disputam o controle de áreas do território. Em 2025, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, admitiu apoio a grupos armados de Gaza que se opõem ao Hamas.
Para pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil, o cenário contribuiu para aumentar a desesperança entre os palestinos e reduziu as perspectivas de uma solução política de longo prazo.
Violência também cresce na Cisjordânia
A situação não se limita à Faixa de Gaza. Na Cisjordânia, especialistas apontam aumento da expansão de assentamentos israelenses e da violência envolvendo colonos.
A região também enfrenta novos deslocamentos e conflitos entre palestinos, colonos e forças israelenses. O cenário tem ampliado as dificuldades políticas da Autoridade Palestina, que administra partes da Cisjordânia.
A Autoridade Palestina anunciou eleições legislativas para 28 de novembro, em uma tentativa de renovar sua representação política. A última eleição parlamentar palestina ocorreu há quase duas décadas.
Três anos depois do início da atual guerra, Gaza permanece marcada pela destruição, pela crise humanitária e pela falta de avanços concretos para a reconstrução. As divergências sobre o desarmamento do Hamas, a retirada israelense e a administração do território continuam entre os principais obstáculos para um acordo duradouro.
Da Redação
07/10/2026
