A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, atribuiu a problemas técnicos a redução no alcance de publicações relacionadas à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi divulgada neste domingo (11), após questionamentos da campanha petista sobre o desempenho dos conteúdos nas plataformas digitais.
A empresa negou favorecer o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e classificou como falsas as acusações de que estaria beneficiando publicações ligadas ao adversário de Lula. Em nota, afirmou que as falhas mencionadas não atingiram exclusivamente o Brasil ou contas específicas e declarou cumprir as regras eleitorais.
Campanha de Lula aciona órgãos eleitorais
A campanha do PT acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), alegando suspeitas de interferência no processo eleitoral em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Segundo os representantes de Lula, a Meta não apresentou evidências suficientes para demonstrar que os problemas técnicos também afetaram outros mercados e candidatos brasileiros.
Diante das acusações, o TSE estabeleceu prazo de 48 horas para que a empresa apresentasse esclarecimentos sobre o caso.
Um levantamento da Secretaria Nacional de Comunicação do PT apontou que a página de Flávio Bolsonaro registrava, em média, 2,96 vezes mais engajamento do que a de Lula, apesar de ter 17,2% menos seguidores. Os números foram apresentados pela campanha petista como parte dos questionamentos sobre o funcionamento das plataformas.
Histórico de questionamentos sobre redes sociais
O uso de plataformas digitais em campanhas eleitorais tem sido alvo de investigações e debates em diferentes países, especialmente em relação à distribuição de conteúdo, ao uso de dados pessoais e à possível influência sobre eleitores.
Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em 2016, quando a empresa Cambridge Analytica utilizou dados de milhões de usuários do Facebook para direcionar conteúdos políticos. O caso envolveu as eleições presidenciais dos Estados Unidos e a campanha favorável à saída do Reino Unido da União Europeia, conhecida como Brexit.
Em 2018, o Facebook reconheceu falhas nos sistemas que permitiram a coleta em larga escala de informações utilizadas pela consultoria. No ano seguinte, a empresa concordou em pagar uma multa de US$ 5 bilhões nos Estados Unidos, aplicada pela Comissão Federal de Comércio (FTC), em um caso relacionado à proteção da privacidade dos usuários.
O tema voltou ao debate político após Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, anunciar mudanças no posicionamento da empresa sobre a moderação de conteúdo e defender maior resistência a iniciativas de regulação das redes sociais.
Até o momento relatado, a Meta sustenta que a redução no alcance das publicações foi provocada por problemas técnicos e nega favorecer qualquer candidatura.
Da Redação
11/10/2026
