Lula e Flávio Bolsonaro protagonizam debate marcado por acusações e propostas na TV Band

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Da Redação
19/10/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participaram neste domingo (18) do primeiro debate eleitoral transmitido pela TV Bandeirantes. O encontro foi marcado por trocas de acusações, confrontos diretos e discussões sobre segurança pública, saúde, direitos trabalhistas e política internacional.

Durante os blocos, os candidatos fizeram questionamentos sobre investigações envolvendo familiares, apresentaram propostas para o país e divergiram sobre a atuação dos governos anteriores. Em alguns momentos, os mediadores precisaram intervir para organizar as falas.

Segurança pública concentra divergências

A segurança pública esteve entre os principais temas do debate. Flávio Bolsonaro defendeu o endurecimento das políticas de combate ao crime, a classificação de facções criminosas como narcoterroristas e a construção de 500 mil vagas no sistema penitenciário, caso seja eleito.

O senador também propôs ampliar o uso de câmeras com reconhecimento facial e aumentar o rigor das punições criminais.

Lula, por sua vez, reafirmou a intenção de criar o Ministério da Segurança Pública. Segundo o presidente, a pasta seria responsável por coordenar ações entre União, estados e municípios, ampliando a participação do governo federal no enfrentamento à criminalidade.

Os candidatos também divergiram sobre as saídas temporárias de presos. Lula defendeu a manutenção do benefício para detentos com bom comportamento e em processo de ressocialização, mas afirmou que condenados por crimes graves não deveriam ter acesso à medida.

SUS e pandemia entram no confronto

A saúde pública também provocou embates entre os candidatos. Questionado sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), Flávio afirmou que pretende indicar o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para o Ministério da Saúde. Ele defendeu a adoção de padrões de qualidade da instituição privada no sistema público.

Lula questionou a proposta e criticou a atuação do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, especialmente em relação à compra de vacinas e às decisões adotadas no período.

Flávio rebateu as críticas e defendeu a gestão do pai, argumentando que a pandemia foi uma situação excepcional, que apresentou desafios inéditos para os governos.

Candidatos discutem fim da escala 6×1

A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 também foram abordados durante o encontro.

Flávio Bolsonaro declarou que passou a apoiar a proposta após ouvir trabalhadores e avaliar os argumentos favoráveis à mudança. A posição representou uma alteração em relação às manifestações anteriores do senador sobre o tema.

Lula criticou o adversário e questionou sua proximidade com a realidade dos trabalhadores brasileiros, dando continuidade ao tom de confronto adotado ao longo do debate.

Sigilos bancários e investigações geram acusações

Em outro momento, Lula desafiou Flávio a apresentar informações bancárias e telefônicas para análise das autoridades, incluindo documentos de familiares, com o objetivo de esclarecer possíveis irregularidades.

O senador afirmou que não tinha nada a esconder, mas não confirmou expressamente que aceitaria a proposta nos termos apresentados pelo presidente. Durante a discussão, também fez acusações contra Lula.

No início do debate, o presidente havia questionado Flávio sobre valores que, segundo a reportagem, teriam sido recebidos do banqueiro Daniel Vorcaro, além de outros episódios relacionados a investigações e declarações públicas. O senador, por sua vez, levantou suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.

As discussões avançaram sem que os candidatos chegassem a um consenso sobre as acusações apresentadas.

Relação com os Estados Unidos e soberania nacional

A política externa foi outro ponto de divergência. Lula questionou a relação de Flávio Bolsonaro com os Estados Unidos e demonstrou preocupação com a soberania brasileira na exploração de minerais críticos, utilizados na fabricação de baterias e equipamentos tecnológicos.

O presidente também criticou a atuação de integrantes da família Bolsonaro em relação aos interesses norte-americanos.

Flávio defendeu a cooperação internacional, principalmente no combate ao crime organizado, e negou ter trabalhado para impor tarifas contra empresas brasileiras.

Suspeita de bomba mobiliza policiais após o debate

Após o encerramento do encontro, equipes do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), da Polícia Militar de São Paulo, foram acionadas para verificar uma suspeita de bomba em um veículo estacionado nas dependências da emissora, que seria ligado à equipe de Flávio Bolsonaro.

Durante a operação, jornalistas e convidados ficaram temporariamente impedidos de deixar o local. Após uma vistoria, nenhum artefato suspeito foi encontrado, e a área foi liberada.