Dados do Inpe apontam as menores áreas desmatadas das séries históricas dos dois biomas; governo atribui resultado ao reforço das ações de fiscalização e conservação ambiental.
O desmatamento apresentou queda de 41% na Amazônia e de 23,8% no Cerrado entre julho e agosto de 2026. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (16) pelo governo federal, têm como base o monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e indicam as menores extensões registradas nas séries históricas dos dois biomas.
Na Amazônia, a área desmatada passou de 5.731 quilômetros quadrados em julho para 3.335 km² em agosto, o menor índice da série iniciada em 1998.
No Cerrado, a redução foi de 7.235,27 km² para 5.516,69 km² no mesmo período. Segundo os dados apresentados, esse é o menor resultado da série histórica iniciada em 2001.
Governo destaca ações de fiscalização e preservação
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, comemorou os resultados e destacou a importância da continuidade das políticas de combate ao desmatamento.
Segundo o ministro, o avanço está relacionado a três fatores principais: utilização de dados científicos para orientar as decisões, participação da sociedade nas discussões ambientais e cooperação entre o governo federal, estados e municípios.
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, também ressaltou a atuação conjunta dos órgãos públicos e a participação de diferentes setores na implementação das medidas de preservação.
Entre as ações apontadas pelo governo estão o fortalecimento das operações da Polícia Federal, que resultaram na abertura de quase 8 mil inquéritos relacionados a crimes ambientais entre 2023 e 2026, além do aumento dos investimentos no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O governo também citou a criação de 18 novas unidades de conservação e a homologação de 20 terras indígenas como iniciativas voltadas à proteção ambiental.
Redução pode favorecer exportações brasileiras
A diminuição do desmatamento também foi destacada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, como um fator importante para o comércio internacional de produtos agropecuários brasileiros.
Segundo ele, mercados compradores têm ampliado as exigências relacionadas à sustentabilidade e à origem das mercadorias. A União Europeia, por exemplo, adota regras que restringem a entrada de produtos associados ao desmatamento após a data de corte estabelecida em sua legislação.
Nesse cenário, a redução da devastação pode contribuir para melhorar as condições de acesso dos produtos brasileiros a mercados internacionais e fortalecer a imagem do país na produção agropecuária sustentável.
Os dados divulgados reforçam a importância do monitoramento contínuo dos biomas e da manutenção das ações de fiscalização e conservação para reduzir a perda de vegetação nativa no Brasil.
Da Redação 16/10/2026
