Levantamento aponta maior proporção de metástases entre pacientes do sexo masculino e reforça a importância de reconhecer os sinais da doença.
Da Redação
13/10/2026
O câncer de mama também atinge homens e, muitas vezes, é identificado em fases mais avançadas, quando as possibilidades de tratamento podem ser mais limitadas. O alerta é da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), que destaca a importância da informação e do diagnóstico precoce durante a campanha Outubro Rosa.
Um levantamento da entidade, com base em dados dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC), do Instituto Nacional de Câncer (Inca), identificou mais de 163 mil registros da doença entre 2020 e 2023. Desse total, 2.126 casos foram registrados em homens.
As estimativas do Inca apontam para 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028, considerando a projeção anual apresentada para o período. A doença está entre os tipos de câncer mais frequentes no país, especialmente entre as mulheres.
Segundo o presidente da SBRT, o radio-oncologista Wilson José de Almeida Júnior, é fundamental ampliar o conhecimento sobre a ocorrência da doença no público masculino, uma vez que o diagnóstico tardio também pode levar a desfechos graves.
Homens apresentam maior proporção de metástases
Os dados analisados pela SBRT mostram diferenças na distribuição dos casos conforme o estágio da doença no momento do diagnóstico.
Entre os homens com informações disponíveis sobre o estadiamento, 29,95% estavam no estágio IV, quando o câncer pode apresentar metástase, ou seja, se espalhar para outras partes do corpo. Entre as mulheres, esse percentual foi de 26,42%.
Considerando os estágios III e IV, classificados como mais avançados, os índices chegaram a 62,29% entre os homens e 61,57% entre as mulheres.
No estágio I, considerado inicial, estavam 3,41% dos homens e 5,45% das mulheres. Os números reforçam a preocupação com a identificação tardia da doença entre pacientes do sexo masculino.
De acordo com a rádio-oncologista Denise Ferreira, diretora de comunicação da SBRT, um dos fatores que contribuem para esse cenário é o desconhecimento de que homens também podem desenvolver câncer de mama.
A médica explica que alterações na região do peito podem demorar a ser investigadas. Como os homens possuem menor quantidade de tecido mamário, o tumor também pode alcançar estruturas próximas, como a pele e os músculos, mesmo quando ainda apresenta dimensões reduzidas.
Quais sinais devem ser observados?
Embora seja menos frequente entre os homens, o câncer de mama exige atenção aos sinais que podem indicar a presença da doença.
Os principais alertas incluem:
- Caroço ou nódulo na região da mama;
- Alterações no mamilo;
- Secreção pelo mamilo, especialmente quando acompanhada de sangue;
- Mudanças na pele da região do peito.
A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas deve ser avaliada por um profissional de saúde. A procura por atendimento médico diante de alterações suspeitas é importante para facilitar a investigação e, se necessário, iniciar o tratamento precocemente.
Entre os fatores que podem aumentar o risco da doença em homens estão alterações genéticas hereditárias, histórico familiar, obesidade e mudanças hormonais. Apesar de representar menos de 1% dos casos de câncer de mama, a doença pode ser grave quando diagnosticada tardiamente.
Tratamento depende das características do tumor
O tratamento do câncer de mama masculino segue princípios semelhantes aos utilizados em mulheres. Quando a doença está localizada, a cirurgia costuma ser uma das principais opções terapêuticas.
Conforme o estágio e as características do tumor, o tratamento pode incluir também hormonioterapia, quimioterapia e radioterapia.
A radioterapia pode ser indicada especialmente após a cirurgia, com o objetivo de reduzir o risco de a doença voltar na região tratada. A decisão depende da avaliação médica individualizada.
Segundo Denise Ferreira, a identificação precoce aumenta as possibilidades de tratamento e pode contribuir para melhores resultados. A especialista ressalta que a sobrevida varia conforme o estágio da doença, as características do tumor e a resposta às terapias.
Diagnóstico precoce também é importante para mulheres jovens
O alerta sobre a identificação tardia da doença também se estende às mulheres, especialmente às mais jovens.
Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), baseado em dados dos Registros Hospitalares de Câncer, analisou quase 118 mil mulheres diagnosticadas entre 2020 e 2023.
Entre as pacientes com até 39 anos, 14,4% receberam diagnóstico nos estágios 0 ou I, enquanto 85,6% estavam nos estágios II, III ou IV. A classificação no estágio II, porém, não significa necessariamente que a doença esteja em fase avançada.
O cirurgião oncológico e mastologista Juliano Rodrigues Cunha, diretor de comunicação da SBCO, destaca a importância de investigar alterações persistentes nas mamas, inclusive antes da idade recomendada para o início do rastreamento de rotina.
Para mulheres com risco habitual, sociedades médicas brasileiras recomendam a realização de mamografia a partir dos 40 anos. Já aquelas com histórico familiar relevante ou determinadas alterações genéticas podem precisar de acompanhamento individualizado e exames iniciados mais cedo, conforme orientação médica.
A conscientização, a atenção aos sinais do corpo e a busca por avaliação profissional diante de alterações suspeitas são medidas importantes para ampliar as chances de diagnóstico oportuno e tratamento adequado.
