14/09/2026
O programa Viva Maria, da Rádio Nacional, completa 45 anos de história nesta segunda-feira (14). Criado e apresentado pela jornalista Mara Régia, o programa se tornou um espaço dedicado à informação, cidadania e aos direitos das mulheres.
A primeira edição foi ao ar em 14 de setembro de 1981. Na época, Mara tinha 30 anos e assumiu o desafio de comandar um programa voltado às reivindicações femininas.
Ao longo das décadas, o Viva Maria abordou temas como trabalho, saúde, educação, direitos sociais e, especialmente, o combate à violência contra a mulher. A participação das ouvintes, por meio de cartas, telefonemas e, posteriormente, e-mails, ajudou a definir os assuntos tratados no programa.
A experiência também ganhou reconhecimento acadêmico. Pelo menos 30 pesquisas de pós-graduação já analisaram o programa, que acumulou mais de 30 prêmios nacionais e internacionais.
Combate à violência contra a mulher
A luta contra a violência doméstica ganhou espaço central no programa a partir da experiência pessoal de Mara Régia. Sua mãe, Yolanda, sofreu violência dentro de casa, situação que marcou a jornalista e influenciou sua decisão de transformar o rádio em instrumento de defesa das mulheres.
A atuação do Viva Maria também ajudou a ampliar a pressão pela criação de políticas públicas. Em Brasília, o trabalho desenvolvido pelo programa foi apontado como um dos fatores que contribuíram para a implantação, em 1986, da primeira delegacia especializada no atendimento às mulheres da capital.
A atuação de Mara chegou a provocar ameaças por telefone. Mesmo diante das pressões, ela decidiu continuar o trabalho.
Histórias que ganharam voz
Ao longo dos 45 anos, muitas mulheres que participaram do programa passaram de ouvintes a agentes de transformação em suas comunidades. Os relatos apresentados no rádio ajudaram a dar visibilidade a problemas e histórias que muitas vezes permaneciam desconhecidos.
Um dos casos marcantes ocorreu no Amapá, envolvendo mulheres vítimas de escalpelamento causado por motores de embarcações. A divulgação do problema pelo programa contribuiu para mobilizar apoio às vítimas.
Entre elas estava a professora Rosinete Serrão, que, após participar do Viva Maria, passou a atuar na divulgação dessas histórias. Com apoio recebido, conseguiu uma peruca, retomou os estudos e posteriormente se formou em pedagogia.
O programa também abriu espaço para parteiras do interior do Acre e para trabalhadoras rurais que encontraram no rádio incentivo para continuar os estudos e buscar novas oportunidades.
Em 45 anos, o Viva Maria consolidou uma trajetória marcada pela prestação de serviço, pela defesa de direitos e pela aproximação entre o rádio e as mulheres de diferentes regiões do país.
