STF adia desfecho sobre investigação de Alexandre de Moraes

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Ministros durante sessão extraordinária do STF — Foto: Alejandro Zambrana/STF
Ministros durante sessão extraordinária do STF — Foto: Alejandro Zambrana/STF

Por Redação

16/09/2026 06h07 · Atualizado há 3 horas

O Supremo Tribunal Federal tem agora um prazo de 90 dias para retomar a discussão que definirá se haverá ou não a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, em decorrência de suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.

O plenário, que vivenciava uma sessão considerada histórica, viu os trabalhos serem interrompidos por um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Com a manobra regimental, a crise institucional que assola a Suprema Corte tende a se prolongar e atravessará o período eleitoral.

Embates e divisão no plenário

A terça-feira (15) foi marcada por quase seis horas de intensas discussões, bate-bocas e trocas diretas de acusações que escancararam o racha entre alas antagônicas do tribunal. O centro do debate — a análise do relatório da Polícia Federal que compila 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes — acabou relegado a segundo plano diante do confronto aberto entre magistrados.

Sentados lado a lado, Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram os momentos mais tensos. Moraes apontou que o colega teria pressionado policiais para forçar a inclusão de seu nome em delações premiadas, além de atuar em sintonia com articuladores de tentativas de golpe. Em resposta, Mendonça rechaçou o relatório de inteligência da PF, classificando-o como apócrifo e fruto de “arapongagem de uma PF paralela”. Na sequência, o decano Gilmar Mendes interveio para acusar Mendonça de conduta político-eleitoral na relatoria do chamado caso Master.

Fracasso na unificação dos casos

A tentativa de pacificar ou alinhar os procedimentos por meio da unificação de processos também dividiu o colegiado. Por 4 votos a 3, os ministros rejeitaram uma proposta apresentada por Gilmar Mendes para julgar em conjunto os casos de Alexandre de Moraes e de André Mendonça.

  • Votaram pela unificação: Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Flávio Dino (embora o voto deste último não tenha chegado a ser computado devido ao pedido de vista).
  • Votaram pela separação: O presidente da Corte, Edson Fachin, acompanhado por André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

Apesar do impasse em torno de Moraes, a audiência destinada a apurar a conduta de André Mendonça na condução de seus processos segue rigidamente marcada para a próxima quarta-feira, dia 23. Como o colegiado ainda se concentra em debater preliminares, o mérito das acusações continua sem previsão de apreciação definitiva.