Reunião sobre reabertura de Ormuz é adiada em meio a novos ataques no Oriente Médio

- in MUNDO

14/09/2026

Países árabes do Golfo Pérsico adiaram uma reunião que seria realizada nesta segunda-feira (14) com representantes do Irã e de Omã para discutir a reabertura do Estreito de Ormuz. A decisão ocorre em meio a uma nova escalada militar na região, com ataques dos houthis contra alvos na Arábia Saudita.

A reunião foi adiada, segundo o ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, em busca de um consenso entre as partes. O governo iraniano afirmou que o encontro foi postergado a pedido da Arábia Saudita.

O Estreito de Ormuz permanece praticamente bloqueado desde os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro. A passagem é considerada uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo no mundo, e a interrupção do tráfego tem aumentado a preocupação com o abastecimento internacional.

Houthis voltam a atacar território saudita

Os houthis, grupo aliado do Irã no Iêmen, afirmaram ter lançado dezenas de mísseis e drones contra uma instalação militar em Khamis Mushait, no sul da Arábia Saudita, próximo à fronteira com o Iêmen.

Segundo o grupo, os ataques tiveram como alvo estruturas militares, incluindo hangares, radares, pistas e depósitos de munição. Os houthis disseram que a ofensiva foi uma resposta aos recentes ataques aéreos realizados pela Arábia Saudita contra posições no Iêmen.

As autoridades sauditas emitiram alertas de emergência em Khamis Mushait e em outras cidades do sul do país que já haviam sido atingidas anteriormente.

Petróleo registra forte alta

A instabilidade provocada pelos ataques e pela dificuldade de reabrir o Estreito de Ormuz repercutiu nos mercados. Os contratos de petróleo registraram alta superior a 3% nesta segunda-feira, na retomada das negociações após o fim de semana.

A situação também ameaça a distribuição de combustíveis. O oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, uma alternativa estratégica para transportar petróleo sem passar por Ormuz, sofreu danos recentes.

Imagens de satélite identificaram áreas afetadas por incêndios ao longo da estrutura. Analistas do mercado avaliam que uma interrupção prolongada do oleoduto poderia retirar até 4% da oferta mundial de petróleo.

Irã impõe restrições a navios

Em meio à tensão, o Irã divulgou uma relação com 77 embarcações que, segundo o governo iraniano, teriam desrespeitado seus protocolos para navegar pelo Estreito de Ormuz.

Teerã informou que os navios incluídos na lista poderão sofrer restrições em futuras passagens, com possibilidade de multas, detenção ou confisco. Empresas e embarcações que colaborarem com essas operações também poderão ser incluídas na relação.

A combinação entre a pressão militar, a dificuldade de circulação pelo estreito e os danos à infraestrutura de transporte de petróleo aumenta o risco de novos impactos sobre o mercado global de energia.