16/09/202
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) anunciou a ampliação do acesso ao lenacapavir, medicamento injetável de ação prolongada utilizado na prevenção da infecção pelo HIV. A iniciativa alcançará 14 países da América Latina e do Caribe, entre eles o Brasil.Segundo dados da organização, a região registra aproximadamente 140 mil novas infecções pelo HIV por ano. A expansão do acesso ao medicamento busca aumentar as alternativas disponíveis para a prevenção da doença.O lenacapavir é administrado por meio de injeções duas vezes ao ano e integra as opções de profilaxia pré-exposição (PrEP). Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como uma alternativa adicional de prevenção, após estudos clínicos apontarem eficácia próxima de 100% na proteção contra a infecção.A aplicação semestral pode facilitar a prevenção para pessoas que encontram dificuldades em manter métodos que exigem uso mais frequente.Além do Brasil, poderão adquirir o medicamento por meio dos fundos rotatórios regionais da Opas Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.A expansão complementa acordos de licenciamento voluntário que já abrangem 24 países da América Latina e do Caribe, dentro de uma iniciativa global que contempla 120 países.No Brasil, a farmacêutica Gilead Sciences, responsável pelo lenacapavir, também se comprometeu a avançar na transferência de tecnologia para possibilitar a produção local do medicamento. A Opas informou, porém, que o processo ainda está em desenvolvimento e que os prazos e mecanismos para essa transferência não foram definidos.A incorporação do lenacapavir aos programas nacionais de prevenção e combate ao HIV ocorrerá de maneira gradual. Cada país deverá cumprir etapas regulatórias e definir protocolos clínicos, capacitar profissionais e preparar os sistemas de saúde.A Opas informou que oferecerá apoio técnico aos governos para avaliar as necessidades, elaborar diretrizes, monitorar a implementação e preparar os serviços de saúde.O novo medicamento passa a integrar um conjunto de estratégias de prevenção que já inclui a PrEP oral, o cabotegravir de ação prolongada, o uso de preservativos, o diagnóstico precoce e o tratamento antirretroviral.Segundo a organização, ampliar o número de alternativas permite adaptar a prevenção às diferentes necessidades das pessoas e pode contribuir para reduzir novas infecções pelo HIV na região.
