19/09/2026
Uma nova espécie de felino selvagem foi identificada por pesquisadores em uma área de florestas montanhosas da Bolívia. Batizada de Leopardus tilcayo, a espécie foi encontrada na região de Nor Yungas, e sua identificação representa a primeira descrição científica de uma nova espécie de felino em mais de 100 anos.
A pesquisa foi coordenada pelo professor Eduardo Eizirik, da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), e teve a participação de cientistas de diferentes países.
A descoberta ocorreu a partir da análise genética de um animal macho conhecido pelo apelido de “Tigrino”. Ele foi encontrado ainda filhote, em 2016, por um morador de Nor Yungas e posteriormente levado ao refúgio de animais La Senda Verde, onde permaneceu.
Inicialmente, acreditava-se que o animal pertencesse à espécie Leopardus tigrinus. Porém, o sequenciamento de seu genoma revelou que ele apresenta características genéticas próprias e pertence a uma linhagem evolutiva distinta, até então não reconhecida pela ciência.
O estudo foi publicado em 17 de setembro na revista científica Current Biology.
Cinco espécies de gatos-do-mato
Além de identificar o Leopardus tilcayo, a pesquisa ampliou o conhecimento sobre os chamados gatos-do-mato ou “tiger cats”. Durante muito tempo, esse grupo foi considerado uma única espécie.
A análise genética mostrou, porém, que os animais pertencem a cinco espécies diferentes. Os pesquisadores chegaram à conclusão após comparar os genomas completos de 38 indivíduos de diferentes regiões da América do Sul.
Entre os materiais analisados estavam oito exemplares históricos preservados em museus da Europa e dos Estados Unidos.
Os pesquisadores classificam esses animais como espécies crípticas, termo utilizado para espécies que apresentam aparência muito semelhante, mas possuem diferenças genéticas e seguem trajetórias evolutivas independentes.
Essa semelhança física contribuiu para que diferentes espécies fossem consideradas uma só durante décadas.
Para Eduardo Eizirik, a descoberta demonstra que ainda existem espécies desconhecidas mesmo entre grupos de animais amplamente estudados, reforçando a importância das pesquisas sobre biodiversidade e conservação.
O trabalho reuniu pesquisadores da PUCRS e instituições parceiras do Brasil, Bolívia, Peru, Bélgica, Colômbia, Estados Unidos e Reino Unido.
