15/09/2026
O melanoma não se limita à pele. Embora seja mais conhecido como um tipo agressivo de câncer cutâneo, o tumor também pode surgir em outras regiões do corpo, como os olhos, mucosas e órgãos dos sistemas genital e digestório.
Um estudo divulgado pela Fundação do Câncer chama atenção para essas formas extracutâneas da doença. Apesar de serem menos frequentes, elas podem apresentar comportamento mais agressivo e maior risco de disseminação para outros tecidos e órgãos.
A pesquisa analisou 42.255 registros hospitalares de pacientes com melanoma no Brasil. Desse total, 92,2% correspondiam a tumores de pele, enquanto 5,7% eram melanomas oculares e 2,5% estavam localizados em mucosas.
Entre os casos extracutâneos registrados entre 1990 e 2021, o olho foi o principal local de origem do tumor, concentrando 75% das ocorrências. Na sequência apareceram os órgãos genitais, com 12,8%, e o sistema digestório, com 8,2%.
Melanoma ocular pode não apresentar sinais no início
Um dos principais alertas dos especialistas está relacionado ao melanoma ocular. A doença pode permanecer sem sintomas nas fases iniciais e acabar sendo identificada apenas durante exames de rotina.
Quando aparecem, os sinais podem ser pouco específicos, como visão embaçada, flashes de luz, manchas no campo visual e perda da visão. Por isso, a recomendação é procurar avaliação médica diante de alterações persistentes na visão.
Para os especialistas, o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as possibilidades de tratamento e reduzir o risco de evolução da doença.
Tratamento e acesso a medicamentos
No Sistema Único de Saúde (SUS), a cirurgia da lesão primária e a retirada dos linfonodos comprometidos estão entre os principais procedimentos utilizados no tratamento do melanoma cutâneo.
Nos casos avançados, medicamentos de imunoterapia passaram a ampliar as opções terapêuticas. Segundo a Fundação do Câncer, essas tecnologias aumentaram significativamente a resposta ao tratamento de pacientes com melanoma avançado ou metastático.
O acesso, entretanto, continua sendo um desafio devido ao alto custo dos medicamentos e às dificuldades de incorporação e distribuição dessas tecnologias na rede pública.
Especialistas defendem medidas como compras centralizadas e ampliação da produção nacional para reduzir custos e facilitar o acesso dos pacientes do SUS aos tratamentos de alta complexidade.
No caso do melanoma extracutâneo, porém, as evidências sobre a eficácia da imunoterapia ainda são mais limitadas, especialmente em determinadas localizações da doença.
Melanoma de pele continua sendo mais comum
O levantamento também analisou os casos de melanoma cutâneo. Entre 1990 e 2021, foram registrados 30.614 novos casos no país, com uma distribuição próxima entre homens e mulheres.
A exposição à radiação ultravioleta é considerada o principal fator de risco para os cânceres de pele. O risco é influenciado pelo tipo de pele e pela intensidade e frequência da exposição ao sol.
Apesar de representar uma pequena parcela dos tumores de pele, o melanoma merece atenção por sua capacidade de se espalhar para outras partes do organismo.
Em 2023, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) registrou 2.047 mortes por melanoma de pele no Brasil. Para 2026, a estimativa é de 9.360 novos casos da doença no país.
Os dados reforçam a importância da prevenção, da realização de avaliações médicas e do diagnóstico em estágio inicial, especialmente diante de alterações suspeitas na pele ou na visão.
