16/29/2026
A violência e a sensação de insegurança têm influenciado diretamente a rotina e as escolhas da maioria das mulheres brasileiras. Uma pesquisa mostra que 98% delas adotam algum tipo de estratégia para diminuir o risco de sofrer violência no cotidiano, enquanto 78% afirmam já ter sido vítimas de pelo menos uma forma de violência.
O levantamento “Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência” foi realizado pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber. Foram entrevistadas 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre 22 e 30 de abril de 2026.
A insegurança é relatada com maior intensidade pelas mulheres. Entre as entrevistadas, 94% disseram se sentir inseguras diante da violência no dia a dia, enquanto o índice entre os homens foi de 84%. Durante os deslocamentos pelas cidades, o medo também aparece de forma expressiva: 94% das mulheres e 90% dos homens afirmaram sentir receio de sofrer violência.
Lugares e situações que geram maior insegurança
Bares, festas e baladas estão entre os ambientes considerados menos seguros: 41% das mulheres afirmaram não se sentir nada seguras nesses locais. Em pontos de ônibus e estações, o percentual chegou a 42%. Já dentro do transporte público, 33% disseram não se sentir nada seguras.
A violência doméstica também aparece entre as principais preocupações. Seis em cada dez brasileiras afirmam temer esse tipo de violência.
Mulheres mudam hábitos para evitar riscos
Para reduzir a exposição à violência, 90% das entrevistadas disseram evitar determinados lugares. Outras estratégias também fazem parte da rotina:
- 88% evitam divulgar informações pessoais ou localização nas redes sociais;
- 84% evitam usar o celular enquanto estão na rua;
- 83% avisam alguém sobre seus deslocamentos e horários;
- 83% evitam sair à noite;
- 80% evitam acessar aplicativos bancários na rua;
- 77% compartilham a localização com pessoas de confiança;
- 69% mudam trajetos habituais;
- 66% utilizam transporte por aplicativo para evitar caminhar pelas ruas;
- 66% pedem companhia para sair de casa.
O impacto também chega ao lazer. Segundo a pesquisa, 62% das mulheres já mudaram hábitos de lazer por medo da violência, enquanto 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam. Outros 56% já escolheram algum meio de transporte mesmo para percorrer distâncias que poderiam ser feitas a pé.
Medo também afeta trabalho e estudos
As consequências não ficam restritas à mobilidade e ao lazer. Quase metade das entrevistadas, 45%, afirmou já ter deixado de aproveitar alguma oportunidade de trabalho ou estudo por causa do medo da violência já praticaram técnicas de defesa pessoal, enquanto 26% afirmaram carregar algum item de proteção, como alarme pessoal ou spray de p.
Além disso, 44% disseram já ter considerado mudar de bairro ou cidade em busca de maior segurança.
A pesquisa também identificou que 27% das mulheres praticam ou já praticaram técnicas de defesa pessoal, enquanto 26% afirmaram carregar algum item de proteção, como alarme pessoal ou spray de pimenta.
Segurança pública aparece como preocupação para as eleições
As entrevistadas também apontaram diferentes instituições como responsáveis pela prevenção e pelo enfrentamento da violência. As polícias Militar e Civil foram citadas por 73%, seguidas pelos governos federal e estaduais, ambos com 69%, e pelos governos municipais, com 66%.
A atuação das instituições, porém, recebeu avaliações negativas da maioria das entrevistadas. Entre os índices apresentados estão 74% de avaliação negativa para representantes do Legislativo, 72% para os governos estaduais, 71% para o Poder Judiciário e 71% para o governo federal.
O levantamento aponta ainda que 78% das entrevistadas consideram que propostas relacionadas ao combate à violência contra mulheres nas ruas e no transporte público terão influência em suas decisões de voto nas próximas eleições.
Políticas públicas
Para 95% das mulheres ouvidas, é importante ampliar os canais de denúncia e apoio às vítimas. A melhoria da infraestrutura urbana, incluindo transporte público, iluminação e espaços públicos, foi considerada importante por 93%.
O mesmo percentual defendeu a criação e ampliação de políticas específicas de proteção às mulheres e ações de prevenção, como iniciativas de educação e mudança cultural.
A redução das desigualdades sociais e econômicas também foi apontada como parte das estratégias de prevenção e enfrentamento da violência por 92% das entrevistadas.
