27/09/2026
A idade, por si só, não impede uma pessoa de se tornar doadora viva de órgãos no Brasil. No entanto, quanto mais avançada a idade, mais detalhada tende a ser a avaliação médica para garantir a segurança do doador e do receptor.
Um exemplo é o caso de Arivaldo Sampaio, que tinha 69 anos quando decidiu doar um dos rins ao filho, que havia perdido a função do único rim e precisava de um transplante. Após passar por uma série de exames, Arivaldo foi considerado apto e apresentou compatibilidade total com o filho.
Segundo o Ministério da Saúde, uma pessoa viva pode doar um rim, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte dos pulmões, desde que sejam atendidos os critérios médicos necessários. A compatibilidade sanguínea também é considerada no processo.
A avaliação do potencial doador inclui análise do histórico de saúde, doenças anteriores, exames laboratoriais e de imagem, além da verificação das funções dos rins e do sistema cardiovascular. Para pessoas com mais de 60 anos, os especialistas costumam investigar com ainda mais atenção possíveis riscos relacionados à cirurgia e à retirada do órgão.
O nefrologista Geraldo Freitas, da Unidade de Transplantes do Hospital Universitário de Brasília (HUB), explica que o objetivo é assegurar que a pessoa continue saudável depois da doação. Entre os fatores analisados estão o estado geral de saúde, a expectativa de vida, a capacidade de permanecer saudável com um único rim e os riscos envolvidos no procedimento.
O envelhecimento pode aumentar a ocorrência de condições como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e alterações na função renal. Por isso, a presença ou ausência dessas doenças é um dos pontos considerados na decisão médica.
Apesar desses cuidados, uma idade mais avançada não significa uma exclusão automática. Se os exames demonstrarem boas condições de saúde, função renal adequada e riscos aceitáveis, a pessoa pode ser considerada apta para a doação.
No caso de Arivaldo, a recuperação após a cirurgia foi tranquila. Três anos depois, ele mantém uma rotina de atividades físicas e realiza acompanhamento médico periódico.
Regras para a doação
A legislação brasileira permite que a doação em vida seja feita entre parentes de até quarto grau e entre cônjuges sem necessidade de autorização judicial. Quando não existe esse grau de parentesco, a doação pode ocorrer, mas depende de autorização da Justiça.
O Brasil registrou, em 2025, 4.335 doadores efetivos, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes. Apesar do número recorde, cerca de 49,4 mil pessoas ainda aguardam por um transplante no país.
A principal orientação para quem considera a doação em vida é passar por uma avaliação médica completa. A decisão não é determinada apenas pela idade, mas pelo conjunto das condições de saúde e pela segurança do procedimento para o doador e para o receptor.
