Exposição em São Paulo usa fotografia para aproximar sociedade de pessoas em situação de rua

- in Brasil

21/09/2026

Uma exposição em São Paulo busca provocar uma reflexão sobre a forma como a sociedade enxerga as pessoas em situação de rua. A mostra “A Alfabetização do Olhar – um ato de amor e responsabilidade” reúne fotografias, vídeos, textos e instalações para destacar a trajetória dessas pessoas e o trabalho do padre Júlio Lancellotti e da Pastoral do Povo da Rua.

A exposição foi organizada pelo artista plástico e curador Geraldo Lacerdine e está em cartaz na Lacerdine Galeria de Arte, em Higienópolis. A entrada é gratuita e a mostra permanece aberta ao público até novembro.

Ao todo, são mais de 100 fotografias produzidas pelos fotógrafos Daniel Camargo Kfouri, Fernando Jenzen, Tr3ze e Victor Angelo Caldini. Parte dos registros acompanha o trabalho desenvolvido por Lancellotti desde 2020, período marcado pela pandemia de covid-19.

Segundo o padre Júlio, a proposta da exposição é estimular o público a enxergar as pessoas em situação de rua para além de estereótipos. A ideia é apresentá-las em sua diversidade, com histórias, dificuldades, relações e momentos de alegria.

De acordo com Geraldo Lacerdine, o próprio padre Júlio condicionou sua participação na homenagem à presença das pessoas em situação de rua como protagonistas da exposição. Por isso, as imagens não se concentram apenas nas ações do religioso, mas também nas pessoas atendidas pela Pastoral.

As fotografias mostram diferentes aspectos dessa realidade. Algumas destacam o trabalho humanitário realizado pelo padre Júlio, enquanto outras direcionam o olhar para as pessoas retratadas, registrando situações de vulnerabilidade, mas também momentos de convivência, espontaneidade e dignidade.

A exposição também utiliza a disposição das imagens para criar uma relação mais próxima entre os visitantes e os retratados. Em uma das instalações, fotografias de mulheres em situação de rua sorrindo para a câmera são posicionadas de maneira a favorecer uma sensação de contato direto com o público.

Os fotógrafos afirmam que os registros foram construídos a partir da convivência com as pessoas fotografadas. Tr3ze explica que o trabalho exige tempo para estabelecer confiança, já que algumas pessoas inicialmente desconfiam das intenções de quem está com uma câmera.

Com a aproximação gradual, porém, surgem momentos de conversa e interação. Para o fotógrafo, esse contato é parte fundamental do processo de construção das imagens e ajuda a evitar registros distantes ou artificiais.

A proposta da mostra, portanto, vai além de uma homenagem ao padre Júlio Lancellotti. Ao colocar as pessoas em situação de rua no centro das fotografias e das narrativas, a exposição procura estimular uma mudança na maneira como elas são percebidas e retratadas.