Estudo relaciona solidão e cansaço ao aumento da abstenção eleitoral

- in POLÍTICA

17/09/2026

Uma pesquisa do Datafolha em parceria com um projeto da Avaaz aponta que fatores como solidão, esgotamento mental e falta de vínculos sociais podem estar relacionados ao afastamento de parte dos eleitores das urnas no Brasil.

Intitulado Termômetro do Bem Viver, o levantamento analisou a relação entre bem-estar, convivência comunitária, contato com a natureza e participação política. Segundo os dados, cerca de 30 milhões de eleitores deixaram de votar nos últimos pleitos, o equivalente a aproximadamente um terço do eleitorado.

O estudo identificou um grupo chamado de “desvinculados”, formado por pessoas que votam raramente ou já deixaram de participar das eleições. A pesquisa aponta que 47% dos brasileiros enquadrados nesse perfil apresentam esse comportamento, enquanto três em cada dez afirmam ter abandonado completamente o voto.

Jovens estão entre os mais afetados

Os brasileiros de 18 a 34 anos representam 44% do grupo classificado como desvinculado. O levantamento também indica que apenas dois em cada dez jovens dizem possuir conexão comunitária e, ao mesmo tempo, se sentir bem.

Para Nana Queiroz, diretora do Projeto Desapocalíptica, da Avaaz, o isolamento e o cansaço podem contribuir para uma percepção reduzida de capacidade de transformação coletiva. Segundo ela, parte dessas pessoas recorre à televisão e às redes sociais como forma de aliviar a exaustão.

A pesquisa também aborda o impacto das jornadas de trabalho extensas, citando a escala 6×1 como exemplo de rotina que pode limitar o tempo disponível para lazer e convivência social.

Pesquisa defende políticas de Bem Viver

Entre as alternativas apontadas no estudo estão políticas voltadas ao chamado Bem Viver, com iniciativas relacionadas ao acesso à cultura, ao lazer, ao contato com a natureza e à melhoria dos espaços urbanos.

O levantamento também destaca a necessidade de medidas para reduzir os efeitos do uso excessivo das plataformas digitais, especialmente entre crianças e adolescentes.

A proposta do Termômetro do Bem Viver é ampliar a análise sobre qualidade de vida para além de indicadores econômicos, considerando também aspectos como relações sociais, contato com o meio ambiente e percepção de bem-estar.