Brics defende contenção no Oriente Médio e critica barreiras comerciais

- in MUNDO

13/09/2026

Declaração aprovada na Índia também apoia maior participação de Brasil e Índia na ONU

O Brics manifestou preocupação com o aumento das tensões no Oriente Médio e pediu que os países envolvidos evitem novas ações capazes de ampliar o conflito. A posição foi divulgada neste sábado (12), durante a reunião do grupo realizada em Nova Délhi, na Índia.

A declaração foi aprovada por integrantes que incluem países com posições distintas sobre a crise regional, entre eles Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Por isso, o texto adotou uma linguagem diplomática e não apontou diretamente responsáveis pela escalada.

Os países defenderam que as partes exerçam “máxima contenção” e evitem medidas que possam agravar ainda mais a situação no Oriente Médio e na Ásia Ocidental.

Conflito regional

A guerra no Oriente Médio começou em fevereiro, depois que Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã sob a alegação de que o país desenvolvia armas nucleares. Teerã rejeita essa acusação.

Posteriormente, o Irã realizou ataques contra alvos nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, ambos integrantes do Brics e aliados dos Estados Unidos.

A reunião contou com a participação de líderes como o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e os presidentes Xi Jinping, da China, Vladimir Putin, da Rússia, Cyril Ramaphosa, da África do Sul, e Masoud Pezeshkian, do Irã. Os Emirados Árabes Unidos foram representados pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan. O Brasil enviou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Brasil busca espaço maior na ONU

Outro destaque da declaração foi a defesa de uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Brics quer que o órgão se torne mais representativo e dê maior espaço aos países em desenvolvimento.

China e Rússia, que possuem assentos permanentes e poder de veto no Conselho, reafirmaram apoio às pretensões de Brasil e Índia de ampliar sua participação na estrutura da ONU.

O documento, entretanto, não defende explicitamente que o Brasil passe a ocupar uma cadeira permanente.

Críticas às tarifas

O bloco também voltou a criticar a utilização de tarifas e outras barreiras comerciais impostas unilateralmente.

Segundo a declaração, essas medidas podem distorcer o comércio internacional e entrar em conflito com as regras da Organização Mundial do Comércio.

Embora os Estados Unidos sejam um dos principais responsáveis pelo aumento recente das tarifas contra parceiros comerciais, o país e o presidente Donald Trump não são citados nominalmente no documento.

Brasil, China e Índia estão entre os países afetados pelas medidas comerciais norte-americanas.

Pagamentos em moedas nacionais

O Brics também indicou que pretende avançar na criação de mecanismos para facilitar pagamentos internacionais utilizando as moedas dos próprios países.

A declaração, porém, não apresenta uma proposta para criação de uma moeda única do bloco nem estabelece a substituição do dólar.

Combate à desigualdade

O documento ainda destaca o combate à pobreza e à desigualdade como uma das principais prioridades para o desenvolvimento sustentável.

Brasil e África do Sul apresentaram uma proposta para a criação de um painel internacional voltado ao estudo e ao enfrentamento das desigualdades.