Analfabetismo entre jovens com deficiência é 12 vezes maior, aponta IBGE

- in Geral

18/09/2026

A taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência de 15 a 29 anos chegou a 12,2% em 2022, segundo dados do Censo Demográfico divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre jovens sem deficiência, o índice era de 1%.

A desigualdade também varia conforme o tipo de deficiência. A maior taxa foi registrada entre pessoas com dificuldades relacionadas às funções mentais, com 40,4%, seguida por aquelas que apresentavam mais de um tipo de deficiência, com 34%.

Entre os jovens com dificuldade para enxergar, o analfabetismo atingia 3,5%, mais de três vezes o percentual observado entre aqueles sem deficiência. O índice era de 10% entre pessoas com dificuldade para ouvir, 23,3% entre as que tinham dificuldade para caminhar ou subir escadas e 31,3% entre aquelas com dificuldade para pegar objetos pequenos.

Menor frequência escolar

A presença de pessoas com deficiência no sistema educacional também permanece abaixo da registrada entre estudantes sem deficiência.

Entre crianças de 6 a 14 anos, a frequência escolar era de 92,6% entre aquelas com deficiência, contra 98,4% entre as demais. Na faixa de 15 a 17 anos, os índices eram de 79,5% e 85,4%, respectivamente.

A situação era ainda mais restritiva entre pessoas com deficiência profunda. Nesse grupo, a frequência escolar chegava a 82,3% entre crianças de 6 a 14 anos e a 65,6% entre jovens de 15 a 17 anos.

Avanço no ensino superior

Apesar das desigualdades na educação básica, a presença de pessoas com deficiência no ensino superior aumentou significativamente na última década.

Entre 2014 e 2024, o número de estudantes com deficiência matriculados em cursos de graduação passou de 33.377 para 95.572, quase triplicando no período. A participação desse grupo no total de matrículas também subiu de 0,43% para 0,93%.

O crescimento foi impulsionado principalmente pelo ensino a distância. As matrículas de pessoas com deficiência em cursos presenciais passaram de 26.637 para 50.609, enquanto as de cursos a distância saltaram de 6.740 para 44.963.

Os dados mostram, ao mesmo tempo, avanços no acesso ao ensino superior e a permanência de diferenças importantes na alfabetização e na frequência escolar de crianças e jovens com deficiência.