Lula decola para primeira viagem aos EUA após tarifaço; presidente abre debate da ONU na terça

Lula decola para primeira viagem aos EUA após tarifaço; presidente abre debate da ONU na terça

Discurso de Lula deve abordar soberania, democracia, multilateralismo, guerras e meio ambiente. Agenda prevê eventos sobre COP 30, Palestina e defesa da democracia.

Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin; petista embarcou neste domingo para Nova York — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou para Nova York neste domingo (21) para participar da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Ele fará o tradicional discurso de abertura do debate de líderes na próxima terça-feira (23), uma posição historicamente reservada ao Brasil.

Em suas redes sociais, Lula destacou que a viagem tem como foco o “fortalecimento da democracia, o enfrentamento da crise climática e a defesa do multilateralismo”. A viagem ocorre em meio a um cenário de grande tensão com os Estados Unidos, especialmente após a imposição de tarifas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.


Tensão nas relações Brasil-EUA

A relação entre os dois países tem se deteriorado nos últimos meses. O presidente americano, Donald Trump, impôs uma sobretaxa de 50% para a entrada de produtos brasileiros, em uma tentativa, sem sucesso, de influenciar o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-presidente foi condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe, e o governo americano já prometeu novas sanções.

Lula e seus ministros têm criticado abertamente a política tarifária e a interferência na soberania nacional, enquanto Trump e seus aliados acusam o Brasil de perseguir Bolsonaro. Há a expectativa de que Lula e Trump, ambos em Nova York, se cruzem nos corredores da ONU, aumentando a atenção sobre a relação diplomática.


O Discurso de Lula na ONU

O discurso do presidente, ainda em fase de finalização, deve ser cuidadosamente “calibrado”. Sem citar diretamente Donald Trump, a expectativa é que Lula utilize a plataforma da ONU para enviar recados claros, defendendo a soberania do Brasil, criticando a imposição de tarifas e reafirmando a independência do STF.

Além da defesa da democracia e do multilateralismo, o discurso deve abordar:

  • Questões Ambientais: Lula fará um apelo por mais empenho na preservação e na transição energética, especialmente como anfitrião da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025, a COP30. O governo brasileiro busca garantir financiamento de países ricos para ações climáticas através do novo Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).
  • Conflitos Globais: O presidente também deve abordar as guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza, reforçando sua defesa por um cessar-fogo nos conflitos.

Agenda e Polêmica na Comitiva

A agenda de Lula inclui uma série de encontros importantes. Na segunda-feira (22), ele participará de uma conferência sobre a guerra na Faixa de Gaza, promovida por França e Arábia Saudita, para discutir uma “resolução pacífica” do conflito e a solução dos dois estados. Na quarta-feira (24), ele e o presidente do Chile, Gabriel Boric, além do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, comandarão a segunda edição do evento “Em Defesa da Democracia”, focado no combate ao extremismo e à desinformação.

A comitiva que acompanha o presidente inclui o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e a primeira-dama Janja da Silva.

A viagem foi marcada por uma polêmica envolvendo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Ele foi convidado, mas cancelou sua participação após o governo americano impor restrições à sua circulação no país e cancelar os vistos de sua esposa e filha. Padilha classificou as restrições como “inaceitáveis” e “uma afronta”.