Como os protestos da Geração Z na Ásia mostram o poder das redes sociais — e seus limites

Como os protestos da Geração Z na Ásia mostram o poder das redes sociais — e seus limites

Em maio, um casamento luxuoso de uma política nepalesa, com direito a convidados VIP e fechamento de ruas, foi o estopim para uma onda de manifestações lideradas pela Geração Z em toda a Ásia. Os protestos, que se espalharam por países como Indonésia e Filipinas, são um exemplo do poder de mobilização das redes sociais para combater a corrupção e a desigualdade.

Um dos jovens ativistas, Aditya, de 23 anos, se sentiu indignado com o que viu online: fotos de políticos e seus filhos exibindo uma vida de luxo, com férias exóticas, mansões, carros caros e bolsas de grife. Uma imagem em particular viralizou: a de Saugat Thapa, filho de um ministro, ao lado de uma pilha de caixas de presente de marcas como Louis Vuitton, Gucci e Cartier.


Da indignação online às ruas

A revolta digital se transformou em ação nas ruas. Em 8 de setembro, Aditya e milhares de outros jovens foram às ruas da capital, Katmandu, para protestar contra a corrupção. Os protestos ganharam força e, no dia seguinte, uma multidão invadiu o Parlamento e incendiou escritórios do governo, o que levou à renúncia do primeiro-ministro. No total, cerca de 70 pessoas morreram nos confrontos.

Essa onda de manifestações tem se repetido em outros países asiáticos, como a Indonésia e as Filipinas, onde dezenas de milhares de jovens protestaram na capital Manila no último domingo (21/9). A Geração Z, furiosa com a corrupção endêmica em seus países, tem usado as redes sociais, com vasto uso de material gerado por inteligência artificial (IA), para organizar e dar voz à sua insatisfação.

Apesar de os governos da região alertarem para o risco de escalada de violência nos protestos, Aditya e muitos de seus colegas acreditam que essa onda de mobilização marca o início de uma nova era de protestos com poder de mudança.