Cinco previsões das mudanças climáticas feitas há 50 anos que hoje vemos ao nosso redor

Cinco previsões das mudanças climáticas feitas há 50 anos que hoje vemos ao nosso redor

Mesmo com computadores rudimentares, cientistas já estimavam a sensibilidade do clima ao carbono. Entenda como meio século depois, os números continuam praticamente iguais

Foto de 2018 mostra Syukuro Manabe, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, vencedor do Nobel de Física 2021. Ele demonstrou como o aumento das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera leva ao aumento da temperatura na superfície da Terra. — Foto: Johan Nilsson/TT News Agency via Reuters

Modelos Climáticos Previram o Aquecimento Global com Décadas de Antecedência

Os modelos climáticos, que simulam o fluxo caótico da atmosfera e dos oceanos em supercomputadores, frequentemente são criticados por sua complexidade. No entanto, a história da ciência do clima prova o contrário: as primeiras simulações fizeram previsões incrivelmente precisas sobre o aquecimento global, anos antes que os dados pudessem confirmá-las.

Essa precisão não se limitou apenas à antecipação da média global de aquecimento, mas também à previsão de padrões geográficos que só agora a ciência consegue observar.


O Pioneirismo de Syukuro Manabe

A base dessas descobertas remonta aos anos 1960, no Laboratório de Dinâmica de Fluidos Geofísicos (GFDL) em Nova Jersey. Grande parte desse trabalho pioneiro é creditada a Syukuro Manabe, um físico que dedicou sua carreira ao tema.

Os modelos de Manabe, baseados na física da atmosfera e dos oceanos, não apenas projetaram o mundo que vemos hoje, mas também estabeleceram o roteiro lógico seguido pelos modelos climáticos atuais.

Previsão n.º 1: A Sensibilidade do Clima ao CO₂

A primeira missão de Manabe, no laboratório que se tornaria o GFDL, foi modelar com precisão o efeito estufa — a capacidade dos gases de reter calor na atmosfera.

Para testar seus cálculos, Manabe criou um modelo simples que representava a atmosfera como uma única coluna de ar, incluindo elementos cruciais como a radiação solar e o efeito estufa. Apesar de sua simplicidade, o modelo reproduziu com sucesso o clima da Terra e fez uma previsão notável: dobrar a concentração de dióxido de carbono (CO2​) na atmosfera levaria a um aquecimento de cerca de 3 ºC.

Publicada em 1967, essa estimativa de sensibilidade climática se manteve praticamente inalterada desde então. Atualmente, com um aumento de 1,2 ºC, o planeta já percorreu metade do caminho previsto por Manabe, confirmando a precisão de seus primeiros modelos. Embora outros fatores, como o metano e a resposta lenta dos oceanos, influenciem, a conclusão principal é que Manabe acertou a sensibilidade do clima da Terra ao CO2