Mesmo com computadores rudimentares, cientistas já estimavam a sensibilidade do clima ao carbono. Entenda como meio século depois, os números continuam praticamente iguais

Modelos Climáticos Previram o Aquecimento Global com Décadas de Antecedência
Os modelos climáticos, que simulam o fluxo caótico da atmosfera e dos oceanos em supercomputadores, frequentemente são criticados por sua complexidade. No entanto, a história da ciência do clima prova o contrário: as primeiras simulações fizeram previsões incrivelmente precisas sobre o aquecimento global, anos antes que os dados pudessem confirmá-las.
Essa precisão não se limitou apenas à antecipação da média global de aquecimento, mas também à previsão de padrões geográficos que só agora a ciência consegue observar.
O Pioneirismo de Syukuro Manabe
A base dessas descobertas remonta aos anos 1960, no Laboratório de Dinâmica de Fluidos Geofísicos (GFDL) em Nova Jersey. Grande parte desse trabalho pioneiro é creditada a Syukuro Manabe, um físico que dedicou sua carreira ao tema.
Os modelos de Manabe, baseados na física da atmosfera e dos oceanos, não apenas projetaram o mundo que vemos hoje, mas também estabeleceram o roteiro lógico seguido pelos modelos climáticos atuais.
Previsão n.º 1: A Sensibilidade do Clima ao CO₂
A primeira missão de Manabe, no laboratório que se tornaria o GFDL, foi modelar com precisão o efeito estufa — a capacidade dos gases de reter calor na atmosfera.
Para testar seus cálculos, Manabe criou um modelo simples que representava a atmosfera como uma única coluna de ar, incluindo elementos cruciais como a radiação solar e o efeito estufa. Apesar de sua simplicidade, o modelo reproduziu com sucesso o clima da Terra e fez uma previsão notável: dobrar a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera levaria a um aquecimento de cerca de 3 ºC.
Publicada em 1967, essa estimativa de sensibilidade climática se manteve praticamente inalterada desde então. Atualmente, com um aumento de 1,2 ºC, o planeta já percorreu metade do caminho previsto por Manabe, confirmando a precisão de seus primeiros modelos. Embora outros fatores, como o metano e a resposta lenta dos oceanos, influenciem, a conclusão principal é que Manabe acertou a sensibilidade do clima da Terra ao CO2

